sobre
 


Música de Selvagem nasceu com o retorno ao Brasil de Arthur Decloedt e Filipe Nader. Os dois haviam se mudado em 2007 para Paris, Arthur ficou na cidade e Filipe foi, não muito tempo depois, para Bruxelas. Em meados de 2013 ambos voltaram à São Paulo e foi durante essa transição que surgiu o ímpeto de criar o Música de Selvagem, para desenvolver novas ideias de composição ligadas à improvisação livre.
Convidaram o baterista Guilherme Marques, o multi-instrumentista Célio Barros e o saxofonista Marcelo Coelho (A segunda formação do grupo conta com o trompetista Amílcar Rodrigues e o saxofonista Cuca Ferreira).

O nome do grupo faz alusão à um episódio vivido por Arthur na Europa.
Na ocasião, ouviu de um experiente músico francês que a música brasileira era uma “música de selvagem”.

Afinal de contas, o que seria esta “música de selvagem”?

Esse nome repleto de significados, acabou criando uma forte relação com a própria sonoridade do grupo.
Ironicamente a improvisação livre, vista por muitos como refinada e sofisticada, se relaciona também com instintos primitivos, através de sonoridades brutas e viscerais.

O Música de Selvagem integra hoje o selo Risco, o que o aproxima também do universo da música independente e autoral paulistana. Seus integrantes tocam ainda em grupos como Espetacular Charanga do França, Bixiga 70, Grand Bazaar e Trupe Chá de Boldo e acompanham artistas como Tiê, Tulipa Ruiz, Alzira E, Maurício Pereira, O Terno, entre outros. Após lançar em 2016 o primeiro disco, inteiro instrumental, o Música de Selvagem lança em 2018 “Volume Único”, concebido em cima de canções e com a participação de cantores e compositores. Leia abaixo sobre os trabalhos:



discos


Volume Único
por Thiago França

"A tarefa de escrever sobre qualquer obra de arte só pode ser considerada simples se abordada de forma rasa e descompromissada, quiçá displicente. Escrever sobre arte é um problema pois criar um jogo de referências para entender uma obra é diminuir seu potencial e originalidade, induz o olhar do observador de forma castradora. Sem contar que ao final da maioria dos textos aprendemos mais sobre seus autores que sobre os objetos - coisas que tentarei evitar.

A pior missão a qual uma resenha pode se dispor é a de tentar explicar, desvendar significados escondidos como num enigma, um vide-o-verso de sentidos escamoteados em entrelinhas de escalas, acordes ou palavras. Não há verdade absoluta, sim-ou-não, como numa anedota dicotômica que perde a graça depois de revelada. O rolê da arte é outro - ou pode ou deve ser. Ao artista interessa a controvérsia, o paradoxo, o figurado, símbolos mutáveis que em constante movimento geram calor. A verdade literal é fria e solitária, mora num deserto empoeirado quase esquecida, nostálgica do dia em que veio ao mundo.

Os artistas mais atentos parecem estar desconectados do presente por terem abandonado a pressa da objetividade linear e trazer à tona o que falta à realidade ao invés de reverberar o que já está pronto. O tatibitati da literalidade só interessa às prateleiras das lojas de departamento e aos tijolinhos de jornal. Enquanto o entertainer tenta acertar os números da loto, o artista atira ao mar, engarrafados, seus mais fundos pensamentos, sem pressa de atingir destinatário.

Assim me apareceu “Volume Único”, em quatro canções repletas de camadas, fagocitadas pelo grupo que, em segundo plano, protagoniza o disco. Sem virtuosismo vulgar, sem execuções vetoriais, o disco se apresenta como organismo vivo onde vozes (letras) e banda (sons) se retroalimentam na construção dos arranjos, manuseiam o som em estado bruto (aqui, nada a ver com “brutal”), antes dos gêneros e das construções radiofônicas, sem verniz, sem curso de etiqueta. Batimentos (intervalos microtonais), assimetrias, dinâmicas e texturas criam um leque abrangente de sensações e eis um ponto crucial: as obras de arte demandam criatividade também de quem as apreciam. 

Não há o que entender, não há explicação, apenas o quanto cada um estará disposto a mergulhar e se deixar levar, seja racional e pela força da inquietação da dúvida, seja sensorial e como mero espectador de frequências sonoras, seja as duas coisas. Muito mais interessante do que chegar a uma conclusão é caminhar pelas perguntas certas. 

Respostas são para os fracos."





Música de Selvagem 

"Formada em 2013, entre pesquisas musicais dos seus integrantes, o Música de Selvagem nasce gigante. Contemporâneo e cheio de frescor, o jazz do quinteto espalha-se por 35 minutos fluídos, como se os temas levassem o ouvinte para lugares remotos, distantes da civilização."  - Pedro Antunes  (Estado de São Paulo)

"Música sem filtros. Sem dúvidas uma que não se foca na beleza simples e insipida mas sim em uma beleza bruta e crua. Nós amamos." (traduzido) - Franpri Sunship (França)

"Por último Cara Coragem, como o Liberation Music Orchestra de Charlie Haden, evoca a atmosfera das bandas populares que tomam músicas revolucionárias. Não, jazz brasileiro não se limita a bossa." 
(traduzido) - Claude Loxhay (jazzhalo.be - Bélgica)

"São apenas seis músicas, que somam  pouco mais de 35 minutos, de uma experimentação jazzística bastante livre. Fluida, mas urgente ao mesmo tempo." - Nik Silva (monkey buzz)

“Embora este seja um quinteto soa como uma BigBand: cerebral e poderoso.” "Na minha opnião: Vencedor do melhor design de capa de CD de 2016!"  (traduzido)  - Jassepoes (Bélgica)



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telefone para contato: 11 97190-3222